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Homem de pé pensativo diante de um rack de agachamento, vista traseira, iluminação quente

Criar plano de treino: Guia passo a passo

· Chris · 9 min de leitura

Você quer criar um plano de treino, mas a enxurrada de informações te sobrecarrega. Todo influencer de fitness tem “o melhor plano”, cada site uma opinião diferente. A boa notícia: quando você entende as cinco variáveis fundamentais, pode construir seu próprio plano — e saber por que ele funciona.

Este artigo explica a lógica por trás de um bom plano de treino. Nada de “Faça 3×10” sem justificativa. Em vez disso: o que diz a pesquisa, quais decisões você precisa tomar e como colocar isso em prática?

Por que você não precisa de um plano pronto

Planos de treino prontos não são ruins — mas têm um problema: eles não te conhecem. Não sabem com que frequência você pode treinar, quais exercícios você consegue fazer com seu equipamento, onde estão seus pontos fracos ou como você responde melhor ao volume.

Programas eficazes precisam ser individualizados — adaptados à experiência de treino, objetivos e estilo de vida. Não existe uma única combinação ótima de variáveis. Existem princípios e faixas — e seu trabalho é encontrar a combinação certa para você.

Isso parece mais exigente do que “baixe o plano X”. É mesmo. Mas depois você entende o que está fazendo — e pode adaptar seu plano quando algo muda.

As 5 variáveis de um plano de treino

Todo plano de treino consiste em cinco decisões. Não mais, não menos.

1. Seleção de exercícios

Exercícios compostos (multiarticulares) são a base. Agachamento, levantamento terra, supino, remada, desenvolvimento — esses exercícios treinam vários grupos musculares simultaneamente e são os mais eficazes para força e massa muscular.

Exercícios de isolação complementam. Rosca bíceps, elevações laterais, extensão de pernas — eles abordam fraquezas e músculos que os compostos não trabalham suficientemente.

Regra geral: 70–80% do seu plano devem ser exercícios compostos, 20–30% de isolação. Quanto menos experiência você tem, maior a proporção de compostos.

Por grupo muscular bastam 2–3 exercícios diferentes. Mais variedade não traz vantagens adicionais — com o mesmo volume, maior variedade de exercícios não é superior para hipertrofia.

2. Volume (séries × reps)

Volume é a alavanca mais forte para o crescimento muscular. A relação é clara: mais séries por semana = mais hipertrofia — até um ponto.

Recomendações por grupo muscular por semana:

NívelSéries/semana
Iniciante8–10
Intermediário12–16
Avançado16–20+

Importante: séries compostas sobrecarregam vários músculos. 4 séries de supino treinam primariamente o peito, mas tríceps e ombros trabalham junto. Você precisa de menos isolação do que pensa.

Mais: Quantas séries por grupo muscular?.

3. Intensidade (carga / RPE)

Intensidade descreve o quão pesado você treina — como percentual do seu 1RM ou como RPE (Rate of Perceived Exertion).

Para força: 1–5 reps a 80–90% do 1RM Para hipertrofia: 6–20 reps a 60–80% do 1RM (1–3 reps de sobra) Para resistência muscular: 15–30+ reps a 40–60% do 1RM

Para hipertrofia todas as faixas de rep funcionam — desde que você treine perto o suficiente da falha. Para força máxima, cargas mais altas (>80% do 1RM) são claramente superiores.

Dica prática: Treine exercícios compostos mais pesado (4–8 reps) e exercícios de isolação mais leve (10–15 reps).

4. Frequência (com que frequência por semana)

Com que frequência você treina cada grupo muscular por semana influencia como você distribui seu volume.

No mínimo 2× por semana por grupo muscular é significativamente melhor que 1× por semana — com o mesmo volume total. A vantagem de 3× sobre 2× é menos clara, mas frequência maior permite acomodar mais volume total.

Recomendação prática:

Dias de treino/semanaSplit recomendado
2–3Corpo inteiro (CI)
3–4Corpo inteiro ou Superior/Inferior (Sup/Inf)
4–5Sup/Inf ou Push/Pull/Legs (PPL)
5–6PPL ou Bro-Split com alta frequência

5. Progressão (como você evolui)

Um plano de treino sem regra de progressão é um plano com prazo de validade. Sem aumento sistemático, seu corpo se adapta ao estímulo atual — e depois nada mais acontece.

Para iniciantes: Progressão linear — aumente a carga a cada sessão (2,5 kg membros inferiores, 1,25 kg membros superiores).

Para intermediários: Progressão dupla — aumente as repetições em uma faixa (por ex., 8–12), ao atingir o limite superior aumente a carga.

Para avançados: Progressão periodizada — volume e intensidade controlados por mesociclos (por ex., DUP ou periodização em blocos).

Mais: O que é Progressive Overload? e Progressão dupla explicada.

Passo 1 — Escolher o split

Seu split determina como você distribui os grupos musculares nos seus dias de treino. Os três mais comuns:

Corpo inteiro (CI)

Cada sessão treina todos os grandes grupos musculares. 2–3 exercícios por sessão, 2–3 dias de treino por semana.

Vantagens: Alta frequência por grupo muscular, poucos dias necessários, perfeito para iniciantes. Desvantagens: As sessões podem ficar longas, menos variedade de exercícios por grupo muscular.

Superior/Inferior (Sup/Inf)

Dia 1: Superior (peito, costas, ombros, braços). Dia 2: Inferior (quadríceps, isquiotibiais, panturrilhas, abdômen). 2× por semana cada = 4 dias de treino.

Vantagens: Bom equilíbrio entre frequência e volume por sessão, flexível. Desvantagens: 4 dias de treino necessários, sessões ainda podem durar 60–75 minutos.

Push/Pull/Legs (PPL)

Push: peito, ombros, tríceps. Pull: costas, bíceps, deltoides posteriores. Legs: quadríceps, isquiotibiais, panturrilhas, abdômen. Cada dia 2× por semana = 6 dias de treino.

Vantagens: Maior volume por grupo muscular, máxima variedade de exercícios. Desvantagens: 6 dias de treino, só faz sentido com recuperação suficiente.

A recomendação: Se você treina 3× por semana, escolha corpo inteiro. Com 4×, escolha Sup/Inf. PPL apenas a partir de 5–6× por semana e pelo menos 6 meses de experiência. Se quiser facilitar a decisão: Comparação de programas de treino do Reddit mostra templates comprovados para cada nível.

Passo 2 — Atribuir exercícios por grupo muscular

Cada grupo muscular precisa de pelo menos um exercício composto. Isolação complementa onde necessário.

Grupo muscularCompostoIsolação (opcional)
PeitoSupino, supino inclinadoCrucifixo, Cable Crossover
CostasBarras fixas, remada (barra/cabo)Face Pulls, Reverse Flys
OmbrosDesenvolvimento (em pé/sentado)Elevações laterais, Front Raise
QuadrícepsAgachamento, leg pressExtensão de pernas
IsquiotibiaisLevantamento terra romeno, levantamento terraMesa flexora

No agachamento vale a pena adaptar a técnica à sua anatomia individual — largura de posição, ângulo dos pés e profundidade não são universais. Mais: Técnica de agachamento individual. | Bíceps | (remada/barras fixas) | Rosca (barra, haltere, cabo) | | Tríceps | (supino/desenvolvimento) | Tríceps testa, Dips |

Dica: Comece com 1–2 compostos e 0–1 de isolação por grupo muscular. Mais exercícios ≠ mais resultados — mais volume (no mesmo exercício) é mais eficaz do que mais variedade.

Passo 3 — Definir séries e repetições

Com base no seu nível e no Guia de Volume:

Iniciante (0–12 meses):

  • 3 séries por exercício
  • 8–10 séries por grupo muscular por semana
  • 6–12 reps para compostos, 10–15 reps para isolação

Intermediário (1–3 anos):

  • 3–4 séries por exercício
  • 12–16 séries por grupo muscular por semana
  • Variação: dias pesados (4–6 reps) e dias mais leves (10–15 reps)

Avançado (3+ anos):

  • 3–5 séries por exercício
  • 16–20+ séries por grupo muscular por semana
  • Periodização por mesociclos (volume alto → deload → novo bloco)

Passo 4 — Determinar a carga inicial

Se você não conhece seus máximos, use a Calculadora de 1RM. Caso contrário:

Para hipertrofia: Comece a 60–70% do seu 1RM. Para força: Comece a 75–85% do seu 1RM.

Se você é completamente novo: comece com uma carga com a qual você consegue fazer a última repetição de forma limpa, mas ainda poderia fazer 2–3 mais. Em caso de dúvida, de preferência mais leve do que pesado demais — a progressão vem automaticamente.

Passo 5 — Definir a regra de progressão

Cada exercício precisa de uma regra clara. Exemplos:

Progressão linear (iniciante):

Se todas as séries feitas → próxima vez +2,5 kg Sup / +5 kg Inf. Em caso de falha → carga -10%, começar de novo.

Progressão dupla (intermediário):

Faixa de rep: 8–12. Se 3×12 feito → carga +2,5 kg, volta para 3×8. Após 3× estagnação → carga -5%, faixa reiniciada.

Escreva a regra. Isso faz a diferença entre “eu treino” e “eu sigo um sistema”.

Mais: Progressive Overload explicado e Progressão dupla.

Exemplo: 3 dias de corpo inteiro (Iniciante)

A Basic Beginner Routine é o plano para iniciantes mais recomendado — 3 dias/semana, A/B alternados:

Treino ATreino B
1Remada 3×5+Barras fixas 3×5+
2Supino 3×5+Desenvolvimento 3×5+
3Agachamento 3×5+Levantamento terra 3×5+

Progressão: Todas as reps feitas → +2,5 kg Sup / +5 kg Inf. Em caso de falha → -10%. Mais: Greyskull LP explicado.

Exemplo: 4 dias Sup/Inf (Intermediário)

Para praticantes com 6+ meses de experiência, o catálogo oferece um Plano Iniciante Superior/Inferior de 4 Dias — dias Upper com 7 exercícios, dias Lower com 5, tudo progressão dupla.

Quem quer mais volume e estrutura DUP (dias Pesado + Volume): PHUL combina dias de força (3–5 reps) com dias de hipertrofia (8–12 reps).

Conclusão

Criar um plano de treino não é ciência de foguetes — mas também não é questão de 5 minutos. As cinco variáveis (exercícios, volume, intensidade, frequência, progressão) são o framework. A pesquisa te dá faixas. Seu corpo te dá feedback. E um bom sistema de tracking garante que você não perca nada.

Comece simples, registre consistentemente, aumente sistematicamente. Esse é o plano todo.


Fontes

  • ACSM (2009). Progression Models in Resistance Training for Healthy Adults. Medicine & Science in Sports & Exercise, 41(3):687-708.
  • Kraemer WJ, Ratamess NA (2004). Fundamentals of Resistance Training: Progression and Exercise Prescription. Medicine & Science in Sports & Exercise, 36(4):674-688.
  • Schoenfeld BJ et al. (2017). Dose-response relationship between weekly resistance training volume and increases in muscle mass. J Sports Sciences, 35(11):1073-1082.
  • Schoenfeld BJ et al. (2016). Effects of Resistance Training Frequency on Measures of Muscle Hypertrophy: A Systematic Review and Meta-Analysis. Sports Medicine, 46(11):1689-1697.
  • Schoenfeld BJ et al. (2021). Loading Recommendations for Muscle Strength, Hypertrophy, and Local Endurance: A Re-Examination of the Repetition Continuum. Sports, 9(2):32.
  • Fonseca RM et al. (2014). Changes in Exercises Are More Effective Than in Loading Schemes to Improve Muscle Strength. JSCR, 28(11):3085-3092.
  • Plotkin DL et al. (2022). Progressive overload without progressing load? The effects of load or repetition progression on muscular adaptations. PeerJ, 10:e14142.
  • Helms ER, Morgan A, Valdez A (2019). The Muscle and Strength Pyramids: Training. 2nd Edition.

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